
Há que ter em conta que os avós nunca deixam de ser pais: para eles, os filhos são sempre crianças mesmo quando já são adultos e têm os seus próprios filhos. Há uma certa dificuldade em perceber que o centro da autoridade mudou e, em paralelo, a tentação de manter essa mesma autoridade. É natural que os avós se sintam confusos quanto ao que deles se espera. E que resistam a dar um passo atrás e deixar os filhos tomar as decisões, para eles próprios e para as suas crianças.
Mas a verdade é que, apesar do envolvimento na vida dos netos, os avós não são os educadores. E precisam de respeitar os seus filhos nesse novo papel. Não interferindo, mesmo quando não concordam, e sobretudo não os desautorizando. O que implica uma grande maturidade e flexibilidade de ambas as partes. Também dos filhos. Para saberem ouvir a experiência e compreender o dilema dos pais.
É claro que as crianças percebem que há um conflito entre as duas gerações que lhes estão acima. E tiram o máximo partido. Inconscientemente, até o estimulam. Por exemplo, quando reagem a um "não" dos pais com um "mas a avó deixa...". O que as crianças têm de aprender é que pais e avós cumprem papéis diferentes, complementares. E que os espaços que partilham com uns e com outros têm regras específicas que não podem ser transferidas.
O importante é que avós e netos possam conviver. Todos ficam a ganhar com a partilha de afectos e vivências. Sobretudo agora, no tempo em que, graças ao aumento da esperança de vida, temos uma geração de netos com o privilégio de conhecer os quatro avós.»
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